• Gustavo

Repensando o consumo

Em muitos segmentos, sabe-se que os produtos convencionais podem ser os mais nocivos. Seja pelo baixo custo, ou pela consagração da marca - o que evidencia o poder da publicidade e do costume -, continuamos a utilizar tais produtos sem nos questionar.


Na verdade, deveríamos questionar mais as marcas. Nós já somos questionados o suficiente por elas. Repare como a publicidade sempre apela para nossos sonhos (ou às vezes nos dá o material para eles, o que vem a ser um problema mais sério, quando nossos sonhos são ditados pela mídia).


Questionar uma marca não é nada mais do que exigir um produto benéfico. Simples assim. Claro, o custo-benefício tem que ser levado em conta, e assim podemos fazer mais um questionamento para as marcas: um produto de qualidade precisa ser muito caro, acessível apenas para poucos?


Acabamos por nos acostumar com essa ideia, na medida em que muitas empresas (façam elas Greenwashing, ou não), querem associar seus produtos à uma ideia de sofisticação. O que faz sentido, pois todo comerciante deseja que seu produto seja valorizado.


Entretanto, isso traz à tona mais um questionamento: faz mesmo sentido associar algo natural à uma ideia de sofisticação? Poeticamente, talvez. Mas comercialmente, não deveria haver ao menos algum pudor? Diante da natureza é que estamos mais nus. Não seria, por ventura, a natureza a coisa mais pública que existe, na medida em que inevitavelmente estamos todos inseridos nela, desde o nascimento até a morte?


Repare como funciona a gourmetização. Muitos produtos ditos "gourmet" não são nada mais do que produtos de verdade. Explico: consumimos habitualmente um produto de baixa qualidade, feito com ingredientes ruins. Um hambúrguer por exemplo. Até poucos anos atrás, as opções que haviam era McDonald's ou o cachorro-quente da esquina. Ninguém duvida que ambos são veneno. Nos últimos tempos, entretanto, surgiram mais opções, as conhecidas hamburguerias gourmet. Elas vendem pão, carne e queijo - como deveria ser. É um hambúrguer de verdade, um hambúrguer como se espera, feito com carne real, e não miúdos aditivados.


Mas ela precisa ser gourmet para prosperar, e incorpora nisso todo um conceito identitário: não basta comer o hambúrguer e ir para casa. Nesse intervalo, a hamburgueria precisa marcar nosso imaginário com seu ferro em brasa: moto, barbearia, chopp artesanal, tatuagens pelo corpo. Não há nenhum problema com essas coisas, todas muito divertidas. É curioso apenas constatar como funcionam nesse caso, como uma constelação padronizada para guiar o ato de comer hambúrguer.


Falei da hamburgueria apenas para tentar ilustrar como somos constantemente colonizados, como tantas respostas prontas e padrões de comportamento nos são enfiados goela abaixo, igual na engorda do pato para o foie gras. Questionar as coisas é recusar respostas de antemão. Nada mais racional, afinal, quem nasce sabendo, com informações prévias disponíveis?


Todos temos uma propensão para ouvir pessoas que admiramos, mas muitas vezes essas pessoas não foram adequadamente informadas acerca de determinado assunto, o que não impede que sejam profissionais competentes. Nesses casos, as grandes indústrias contratam figuras influentes para divulgar seus produtos, especialmente quando lançam uma nova linha dita natural. Acontece que, no caso em questão, as novas linhas "naturais" são feitas com os mesmos ingredientes das fórmulas tradicionais dessa grande indústria - tendo apenas uma embalagem verde, uma pequena quantia de algum ingrediente benéfico, e um aumento de preço. Ao analisarmos a formulação, percebemos que tais ingredientes naturais estão em quantidade microscópica no produto, muito pouco mesmo, o que mal justificaria o aumento de preço em relação ao produto convencional da mesma marca.


Seja um cosmético de grande circulação, seja um cosmético de uma linha exclusiva, se a qualidade dos produtos que o compõem não for boa, o resultado será o mesmo. Nesse caso, um problema gera outro problema, um cosmético gera uma alergia, ou faz surgir uma mancha, ou ocasiona uma descamação, nos obrigando então a gastar com mais cosméticos para corrigir o novo problema. Muitas vezes isso acontece como numa reação em cadeia, fazendo com que o remédio possa ser pior que a enfermidade. Não podemos, nem devemos, culpar quem trabalha com divulgação, comércio, publicidade, nem mesmo quem trabalha na grande indústria. Todos nós temos contas para pagar, ao mesmo tempo é bom lembrar que todos temos possibilidades de aprender um pouco mais nesta vida. Ninguém se educa sozinho, de modo que a saída pode ser o questionamento conjunto: não seria possível vivermos todos prósperos e compromissados com o bem-estar geral?


No mundo dos cosméticos, é muito comum encontrar produtos desnecessários e até mesmo nocivos nas composições. Os derivados do petróleo, como a parafina/vaselina e os plásticos, constituem um problema, pois os derivados não são biodegradáveis, e o potencial de reciclagem do plástico é muito inferior ao do vidro, por exemplo. Seu uso se propaga pelo baixo preço - muitos dos produtos utilizados em cosmética são resíduos da indústria, que servem para engordar a fórmula, assim como a indústria alimentícia faz com os conhecidos nuggets de frango.


Além de poluírem o meio-ambiente, de não serem degradáveis e de operarem uma ação destrutiva da fauna e flora marinha - graças aos métodos empregados na extração dessa matéria-prima -, os também chamados Petrolatos têm uma ação oclusora na pele. O que signifca fechar, tampar os poros, de modo que seja evitada a evaporação transepidermal, diminuindo as possibilidades de nutrição.


O problema nos atinge de um modo mais pessoal quando descobrimos que, ao lado da deterioração ambiental, muitas marcas ditas naturais vendem seus produtos a um preço exorbitante, com composições não tão naturais assim e de baixa qualidade. Já reparou, vendo televisão, como é grande a quantidade de pasta de dente posta na escova? Achou esquisito o rapaz da propaganda de desodorante se dando um banho do produto para encarar o dia com confiança? Nós consumimos os cosméticos de uma forma compulsiva, sem pensar de onde vem, para onde vão, e no que realmente podem fazer por nós. Esquecemos que nossa pele precisa de cuidados simples, aliados à uma certa disciplina e boa alimentação, quando vendedores deslumbrantes nos prometem fórmulas milagrosas.


Desde o sorriso dos revendedores das marcas que aparecem na televisão, até o desafio da blogueira patrocinada pela multinacional, aquilo que se oferece é uma ilusão lucrativa. A indústria simplesmente descobriu a fórmula que arranca mais facilmente nosso dinheiro - e não necessariamente nossas acnes.


O que me faz amar a Gaia é seu compromisso com a verdade. Uma empresa que faz o mínimo, tentando sobreviver em um contexto de descaso ambiental, em que fazer o mínimo já é muito: utliza apenas matéria-prima vegetal, sem testes em animais, com resultados e interação transparente com seus colaboradores (estou falando de você, que nos acompanhando já colabora).


A ideia dos produtos Gaia é a parcimônia no uso. Utilizar apenas a quantidade necessária, sem misturas excessivas que sobrecarregam a pele, o bolso e o planeta. Depois de anos estudando arduamente, a Camilla aprimorou suas fórmulas originais e eficazes. Quando fazemos as coisas com amor, vamos compreendendo nosso lugar no mundo.


Pensar, antes de tudo, nosso lugar na natureza. Refletir sobre o uso do natural, do artesanal, das curas telúricas, dos métodos não agressivos, das terapias alternativas que ocupam cada vez mais espaço em nossa sociedade. A natureza não existe para nós, nós existimos dentro dela.

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